
E se eu pudesse mudar algo que tenha feito na minha vida eu não mudaria nada. Apenas apagava aquela tal página da minha vida que retrata o dia em que tu faleceste. É verdade, às vezes ainda penso em ti. Acho que nunca te conheci como o meu irmão te conheceu, ou talvez sim, no entanto sempre te vi com a inocência de criança de quem idolatra aquela pessoa que nos faz as vontades todas. É verdade, eu ainda me lembro de te encher aquela sala de listas telefónicas recortadas em papeis minúsculos e das vezes em que a mãe ralhava contigo por me deixares fazer tudo aquilo que eu queria. É mesmo verdade, os avós existem para deseducar. E nem sabes as saudades que eu tenho de ser deseducada por ti.
Hoje olharias para mim de uma forma diferente, provavelmente seria eu a puxar-te para ir para as compras e para o jardim. Hoje, se ainda cá estivesses as minhas viagens de volta a casa terminariam umas estações de metro antes na esperança de encontrar o conforto dos braços que fizeram a minha infância. Mas a tua ausência existe bem presente naquele jardim junto à ponte, naquele banco com vista para o rio onde tu sempre pertenceste. E eu lembro e relembro a tua partida como algo que teria de acontecer. E vivo com esperança de que a tua felicidade e orgulho por mim e pelo mano sejam infinitos.
Ficam-se as memórias...
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