quarta-feira, 25 de maio de 2016

Ano de caloira

 

 Está a chegar ao fim o meu primeiro ano de faculdade, o meu ano de caloira e eu só quero ter a oportunidade de o recomeçar e de viver tudo da mesma forma desde o primeiro dia.
  Chegar a uma outra cidade desconhecida apenas com uma amiga que se tornou a minha irmã indispensável. Perder-me na faculdade logo no primeiro dia de aulas. Ser praxada como se não houvesse amanhã por não saber parar de me rir. Reviver a primeira e grande amizade que fiz na primeira semana, a metade da minha bola de praxe. Viver a semana da recepção, cada jantar, cada brinde, cada palavra. Ter novamente a alegria de ser integrada no nucleo de estudantes antes de saber o trabalho que ia dar. Reuniões de 4 horas a discutir sempre os mesmos assunto. Estudar anatomia até às quatro da manhã e acordar às seis para fazer a ultima revisão antes da frequência. Fico sem palavras quando penso na semana académica e da nossa entrega para que o cortejo fosse o melhor de sempre, e foi, no entanto não o ganhamos, mas todos sabíamos, mesmo antes de sair que isso iria acontecer. É de facto arrepiante pensar na vinda da tenda da queima até casa para tomar banho e estar as oito da manhã a tomar o pequeno almoço com a malta no café para ir fazer os ultimos preparativos para o cortejo ainda emborrachados da noite anterior, ter 10 minutos para almoçar e sair para o cortejo. Camião ao rubro, tintas explodem no ar e vê-se um mar de tinta nas caras. É desporto, desporto chegou. A maior e melhor família desta universidade chegou. É impossivel, as lágrimas escorrem como se não houvesse amanhã! É a ultima vez que tenho os meus doutores, aqueles que se tornaram meus grandes amigos comigo. é impossível ser indiferente a tantas lágrimas, nós sentimos a partida daqueles que ainda não partiram e sentimos também uma extrema desilusão por não lhes conseguir dar a vitória que eles tanto mereciam.
 Agora aqui sentada lamento assistir à partida da minha colega de casa, amiga, irmã e também minha doutora que completou a licenciatura e está de partida. Custa vê-la desfazer o quarto onde passei tantas horas, tantas conversas, tanta palhaçada. A casa não vai ser a mesma e eu lamento a partida de todos e só quero ficar e fingir que este ano ainda não acabou e que estamos só no inicio.
 Toda a gente me avisou que ia ser assim e que eu não ia querer ir embora, agora as palavras deles fazem realmente sentido. Parte de mim já pertence a esta cidade.

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