
Ser ginasta é treinar com dores e usar mais magnésio que sabão. É crescer a brincar em paralelas e fazer dos muros do recreio a trave onde sobes todos os dias. Ser ginasta é não conseguir expressar a felicidade de entrar no ginásio mesmo sabendo que vais sair de lá quase sem andar. É desafiar a lei da gravidade e voar, sem medos, ou então tentar assim supera-los.
Ser ginasta é estar preparar para as quedas da vida, porque na realidade o mais habitual na ginástica é cair seja de cara, joelhos ou rabo. As quedas são algo com que vives e o que nos distingue dos outros é que caímos mais do que qualquer um e para cada queda existe o ato de levantar e voltar a tentar.
Ser ginasta é usar roupas justas e cabelos amarrados a ponto de fazer doer a cabeça, é não ter tempo para quase nada mas mesmo assim querer fazer sempre tudo. É ouvires falar do teu desporto como se não fosse algo difícil e algo destinado a ''princesas'' porque esses que falam só conhecem o final que nos leva à vitória. O que eles não sabem é que a primeira hora de condição fisica mata, mas o exercício de trave dá cabo da cabeça, para não falar das feridas que as paralelas deixam nas mãos.
Talvez nunca se tenham realmente interrogado do porquê de existirem os espaldares que nós ginástas tão bem conhecemos pela dor que nos dá no abdominal só por olhar para eles.
E sou ginasta, desde cedo o fui e este é mais um ano em que tenho oportunidade de o ser. Sofro porque sou masoquista e gosto de cair vezes sem conta, adoro chegar a casa e não ter energia para comer, adoro ter de comprar ganchos para o cabelo quase todas as semanas e ouvir falarem das minhas espargatas como se isso fosse o mais difícil da ginástica.
Eu sou ginasta e adoro desafiar constantemente a minha coragem.
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