domingo, 26 de outubro de 2014

O que realmente é a minha vida.

 
Esta é uma fotografia da minha rotina como atleta. Não há treino sem gelo e procteções.

Todos nós temos uma história dentro de nós. Um ponto que nos machuca e nos faz ir abaixo de cada vez que pensamos. Para mim, que vivi um desses momentos há relativamente pouco tempo, esses momentos deviam ser guardados de forma benéfica perante os bons. Afinal ainda aqui estou porque aprendi a viver as grandes advertências que a vida me apresentou.
 Sou aluna do 12º ano do curso de animação e gestão desportiva do colégio de Gaia, comecei a praticar ginástica aos 2 anos de idade no futebol clube de Gaia em competição. Sempre tive uma paixão enorme pelo desporto. A minha vida mudou no dia 23 de fevereiro de 2013 quando parti o pé a treinar para um torneio de futebol no campo sintético da escola. Inicialmente os médicos recusaram-se a ver-me porque eu estava muito queixosa, limitaram-se a por-me uma ligadura no pé e a mandar-me para casa. Obviamente o meu pé piorou de forma absurda, então, os meus treinadores decidiram-me mandar para o hospital santa maria onde mais uma vez desvalorizaram a minha situação. Estava lá passado uma semana e, para surpresa de todos, os médicos não sabiam como me dizer que andava há mais de uma semana com o pé todo partido.
 Primeiramente trataram das minha fracturas com gesso. Estive eternidades de tempo engessada, sem desporto e o pior de tudo é que tinha que me injectar todos os dias na barriga ou nas pernas com um medicamento. Acabei por tirar o gesso passado um mês e tal. O caso foi adiado e, como era de esperar, o meu progresso desportivo foi sendo adiado também. Passados uns meses chegamos à conclusão que a fisioterapia não resultava. Fiz mais uma data de exames... tinha os ligamentos do tornozelo quase todos rompidos na totalidade, até mesmo ligamentos internos (nem os médicos sabiam que era possível). Fui obrigada a fazer infiltrações a sangue frio e acreditem ou não eu nunca na minha vida pensei que algo pudesse doer tanto. Mais uma vez, não resultou. Aconselharam-me a deixar de praticar desporto e a desistir do curso, tinha 16 anos e não via como sair daquela situação. Comecei a entrar em depressão. 
 Fui operada no dia 26 de Dezembro de 2013, logo a seguir ao natal. Surgiram as minhas primeiras duas cicatrizes e voltei ao gesso. Mais uma vez não fez efeito e operação serviu como exame.
 4 de abril de 2014 voltei a ser operada depois de muita fisioterapia sem efeito. Surgiram mais 5 cicatrizes, ou seja, já lá vai em 7, surgiram também parafusos no perónio, ancoras nos ligamentos e furos no meu tendão de Aquiles. Voltei ao gesso durante uns tempinho e logo a seguir a fisioterapia. Deixei a ginástica durante um ano inteiro de competições e mesmo assim cheguei a sair de operações, acordar da anestesia e implorar para ir para casa, na verdade ia para o ginásio porque a minha equipa estava a competir. Qual não é o meu espanto quando descubro que alcançaram o primeiro lugar...
 Voltei ao desporto em setembro mesmo antes de completar os meus 18 anos, comecei devagar e , felizmente, estou a recuperar tudo na ginástica. Já voltei a fazer mortais, rodas sem mãos... 
 Nunca estarei recuperada na totalidade, talvez por negligencia médica, pois alguns dos meus ligamentos, nomeadamente os internos, não puderam ser restaurados porque o mais provável era ter de voltar a partir o pé para os poderem tratar.
 Sou metade dor e metade orgulho pois não há um dia que não me levante sem dores e mesmo assim pego no saco, encho-o de roupa e faço tudo o que a minha rotina desportiva manda.
 Não há uma noite em que o gelo e as pomadas não esteja ao lado da cama.
 Como diz a J. e o A. eu sou uma guerreira que nunca abdicou da felicidade, nem mesmo pela própria saúde.

1 comentário:

  1. És mesmo uma guerreira caterine :) Nos piores momentos lembra-te sempre disso :)

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