domingo, 13 de novembro de 2016

Experiências com miúdos

 No mês de outubro estreie-me a treinar uma equipa de ginástica. Quando falamos de miúdos com idades compreendidas entre os 4 e 9 anos sabemos que os primeiros dois treinos são comandados pela vergonha de fazer asneiras, então, enganam-nos o mais que podem com o bom comportamento temporário. É normal nos miúdos. As horas de treinos começam a passar e com as horas vai também a vergonha. Sabemos que chegou a altura em que temos que nos alimentar de paciência durante todo o dia para a desgastar naquela rápida hora de final de tarde. 
 O problema vem mesmo quando a paciência não chega. Quando temos pais que pensam que a função de um treinador é educar os seus filhos, enganam-se todos os encarregados de educação que pensam que eu tiro umas horas do meu dia para ouvir ''ele bateu-me'', ''ele empurrou-me''. Especialmente quando falamos 1000 vezes para a mesma criança e ela ignora e continua a bater nos colegas e recusa-se a pedir desculpa e com toda a razão (pensa ela) encosta-se num canto aos berros. Conto ao encarregado de educação que aquilo não pode acontecer nos meus treinos porque é sempre a mesma criança a bater nos outros e que isso pode ter consequências graves num colega quando este está a fazer os exercícios gimnicos e do outro lado ouço um ''Oh professora desculpe mas tem de ter paciência''. Cá para mim penso eu, a educação vem de casa, não pode pensar que pode pagar uma mensalidade para eu deixar que o seu filho me estrague o treino para eu lhe dar um bocado da educação que os pais não conseguem incutir em casa! Depois de um profundo pensamento que tive que controlar ainda tem a lata de dizer ''Se ele não quiser treinar deixe-o andar ai a correr pelo meio dos meninos, assim pelo menos pode ser já chegue um bocado mais cansadito a casa''. 
 Foi o limite. A minha missão é domar a fera rapidamente ou então po-lo fora dali de vez.

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domingo, 25 de setembro de 2016

A cidade que escolhi

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Uma cidade que enche só com o brilhar da lua. A cidade barulhenta durante a noite e silenciosa durante a noite. Uma cidade que me fez crescer, me levou a descobrir o sentido da vida em partilha e que me levou a conhecer aquela pessoa que em alguma altura da vida duvidamos da capacidade de viver sem.
 Perdi-me em lágrimas no primeiro dia, agora perco-me em memórias e sorrisos partilhados, em amores escondidos e corações que pulam de alegria. Hoje olho para ela e vejo a cidade que me deu uma vida comum com aquele que mais amo, uma vida de viver junto e separa ao mesmo tempo tudo provocado pelo medo de me cansar.
 Amanhã vou correr só porque posso, só porque aquela cidade já é minha e quero fazer dela a minha segunda casa. Amanhã vou brindar com os amigos para que eles saibam de novo que são a familia que eu escolhi.
 Amanhã vou acordar e abraçar a vida.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

universidade

Prestes a voltar para à cidade que me acolheu há um ano e não podia estar mais ansiosa com esse acontecimento. Vila real guarda segredos, aventuras e alegrias que ninguém que não partilhe aquela cidade não percebe. Guarda papeis escritos com letra de quem já não sabe o que está a fazer, sinais de trânsito de quem quis dar uma prenda de risco a alguém, mas acima de tudo guarda uma família. A minha família da maior parte da semana.
 Acho que não consigo descrever tudo o que aquela cidade me deu até hoje, mas posso garantir que foi o suficiente para eu não querer sair de lá.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

de volta!

A minha ausência no meu mundinho do blog foi completamente desnecessária e profundamente ridícula, mas trago boas noticias!
Pois é, segundo o ultimo post eu não conseguia fazer exercício, nada de correr, nada de mexer uma palha. Pois bem, acabei por me assustar devido a uma brusca queda de cabelo e a uma falta de vontade gigante e nada normal em mim. Vim a descobrir que estou com anemia, espectáculo!
Decidi que o mês de agosto seria dedicado a mim e como tal comecei com a medicação e inscrevi-me no ginásio, voltei a correr e aceitei os desafios do ginásio que não passam de mini aulas. Hoje é dia 15 e já me sinto muito melhor quanto ao meu corpo, sinto-me mais firme, mais confiante e acima de tudo mais EU!
 Dedicar-me ao ginásio só me deu mais certezas de que estou no curso certo. Desporto é de facto um desafio em que eu quero trabalhar e acima de tudo ajudar pessoas a cumprir os seus objectivos, porque de facto o corpo também importa quando se fala de saúde!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Exercício

 

 Mais uma vez estou prestes a entrar em pânico.
  Com a história das frequência na semana após a queima e com a lesão que tive deixei de conseguir correr, inicialmente por falta de tempo o que rapidamente deixou de ser uma desculpa, visto que decidi fazer uma rotura de ligamentos no pé esquerdo (pé oposto ao que foi operado há um ano), por uma sorte ou azar de 1 milímetro não tive de ir ao bloco, só não me avisaram que a recuperação ia ser tão lenta.
 Neste momento tenho tentado correr todos os dias e chego a casa cada vez mais desiludida e mais pesada também. Lembro-me de ficar louca da ultima vez que deixei de conseguir fazer exercício. Lembro-me de chorar todos os dias e é esse o único pensamento que me faz conter as lágrimas e pensar que desta vez tenho de ser mais forte.
  Preciso de motivação e de um incentivo que me faça levantar e fazer um programa de exercício, um que seja por conta de outros e não feito pela minha cabeça enquanto estudante de desporto.
  Sinto falta de me sentir saudável e desportista passado este mês em que a única coisa que fiz foi andar de muletas.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Amo-te

  

Amo-te. Amo-te como quem ama a primavera e as flores que com ela nascem. Como quem ama um bom livro numa sobra de banco de jardim, como quem adora o mar e o céu. Amo-te como quem ama a natureza. De uma forma natural e despreocupada, não por achar que vais ser meu para sempre mas simplesmente porque sinto que encontrei alguém que sente exatamente o que sinto.
Amo-te ainda mais cada vez que sem querer choro por ti, todos os dias quando acordo e especialmente todas as noites em que me deito no teu peito. Simplesmente amo-te e contra isso eu já não consigo fazer nada. Sinto-me nas tuas mãos.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Ano de caloira

 

 Está a chegar ao fim o meu primeiro ano de faculdade, o meu ano de caloira e eu só quero ter a oportunidade de o recomeçar e de viver tudo da mesma forma desde o primeiro dia.
  Chegar a uma outra cidade desconhecida apenas com uma amiga que se tornou a minha irmã indispensável. Perder-me na faculdade logo no primeiro dia de aulas. Ser praxada como se não houvesse amanhã por não saber parar de me rir. Reviver a primeira e grande amizade que fiz na primeira semana, a metade da minha bola de praxe. Viver a semana da recepção, cada jantar, cada brinde, cada palavra. Ter novamente a alegria de ser integrada no nucleo de estudantes antes de saber o trabalho que ia dar. Reuniões de 4 horas a discutir sempre os mesmos assunto. Estudar anatomia até às quatro da manhã e acordar às seis para fazer a ultima revisão antes da frequência. Fico sem palavras quando penso na semana académica e da nossa entrega para que o cortejo fosse o melhor de sempre, e foi, no entanto não o ganhamos, mas todos sabíamos, mesmo antes de sair que isso iria acontecer. É de facto arrepiante pensar na vinda da tenda da queima até casa para tomar banho e estar as oito da manhã a tomar o pequeno almoço com a malta no café para ir fazer os ultimos preparativos para o cortejo ainda emborrachados da noite anterior, ter 10 minutos para almoçar e sair para o cortejo. Camião ao rubro, tintas explodem no ar e vê-se um mar de tinta nas caras. É desporto, desporto chegou. A maior e melhor família desta universidade chegou. É impossivel, as lágrimas escorrem como se não houvesse amanhã! É a ultima vez que tenho os meus doutores, aqueles que se tornaram meus grandes amigos comigo. é impossível ser indiferente a tantas lágrimas, nós sentimos a partida daqueles que ainda não partiram e sentimos também uma extrema desilusão por não lhes conseguir dar a vitória que eles tanto mereciam.
 Agora aqui sentada lamento assistir à partida da minha colega de casa, amiga, irmã e também minha doutora que completou a licenciatura e está de partida. Custa vê-la desfazer o quarto onde passei tantas horas, tantas conversas, tanta palhaçada. A casa não vai ser a mesma e eu lamento a partida de todos e só quero ficar e fingir que este ano ainda não acabou e que estamos só no inicio.
 Toda a gente me avisou que ia ser assim e que eu não ia querer ir embora, agora as palavras deles fazem realmente sentido. Parte de mim já pertence a esta cidade.